sexta-feira, 17 de junho de 2011

Carta a Requião por um delegado de Policia.

Carta a Requião por um delegado de Policia.


De Cláudio Marques “Rolim” e Silva:

  Olá senador, como vai? Depois do episódio da aposentadoria, já não sei se o chamo de nobre ou “pobre”. Sou o delegado Marques, lembra? Ah, sim, de Paranacity. Lembra agora? Ainda não? Sem querer te irritar, como vai o “Ferreirinha”? Não se preocupe, esta introdução é só para refrescar sua memória.
  Fique tranqüilo, não serei ofensivo, porque agora que não é mais o governador do Paraná não teria nenhuma graça. Mas senador, o senhor tem que admitir que anda meio, digamos, “nervosão”. Não sei qual ato foi mais tresloucado, o “cavalo-louco” no gravador ou ocupar a tribuna para vociferar contra a imprensa. Só faltou o chapeuzinho ridículo para ficar igual o ditador Kadafi. Uma vergonha para o Paraná.
  Nobre senador, nunca se esqueça disso: sem imprensa livre não existe democracia.
  Pois é, o poder é interessante, principalmente no Brasil, lugar em que as pessoas “endeusam” os que, momentaneamente ocupam altos cargos. Nesta posição de poder, as pessoas nunca lhe dizem a verdade, é incrível. São só elogios.
  Riem de suas piadas sem graça, dizem que você emagreceu, e dizem até que o seu jaquetão azul é uma “coisa linda”. Tudo mentira. Eu tentei dizer a verdade no seu governo, pois a propalada eficiência de sua política de segurança no Paraná, era tão “verdadeira” quanto o pistoleiro “Ferreirinha”. Ao invés de me ouvir, passaram a me perseguir. Quase fui preso por escrever um artigo. Devo admitir que não fui muito bem como especialista em segurança pública. Paulo Coelho está rico com seus livros. Eu, a cada artigo publicado, ficava mais pobre.   “Ganhei” 5 investigações preliminares, 04 sindicâncias, e um processo no juizado especial criminal. Fui suspenso por 30 dias, perdi parte de meu salário, e em primeira instância, fui condenado a 04 meses de prisão. Tudo porque falei que a Polícia do Paraná não tinha efetivo.
  Senador, seja sincero pelo menos uma vez na vida: eu tinha ou não tinha razão? Sabe, no começo eu até me iludi com a tal carta de Puebla e sua opção preferencial pelos pobres. Quase chorei. Só não votei no senhor porque nunca esqueci o episódio “Ferreirinha”. Como no Brasil política é confundida com mentira, tenho que concordar que o senhor, é sim, um grande “político”.
  Senador, sua luta pela aposentadoria de governador demonstra que o senhor é um homem de coragem. E que cara de pau, hein? Sem nunca ter contribuído para a previdência o Senhor quer receber R$24.100,00 pelo resto da vida. Nos oito anos à frente do governo, segundo a Ruth Bolonghese, até o frango frito devorado por visitas no canguiri era pago com o dinheiro dos contribuintes. É verdade?
  Outra coisa, ah, como eu gostaria de saber, quanto é que o Eduardo Requião tinha no armário? Não poderia ter deixado a grana com a empregada? Ou a sua opção preferencial pelos pobres é só com dinheiro público? Que vergonha, hein? Essa outra de se apossar do gravador do repórter foi de lascar. Sei que R$ 24.000,00 fará falta, mas não precisa se desesperar.
   Lembre-se, Vossa Excelência está em Brasília, não está mais na sua República “independente” do Paraná. Sabe, verifiquei que existia um tal de Cláudio Marques da Silva com mandado de prisão e, outros envolvidos em diversas falcatruas, então decidi acrescentar “Rolim” ao meu nome, ao mesmo tempo, evito futuras confusões e presto homenagem à minha mãe, mulher honesta, de fibra, pobre, mas muito honrada. Sei que Vossa Excelência ficará mais pobre sem a tal aposentadoria, mas poderíamos aproveitar uma mesma ação.
   Eu, passarei a assinar Cláudio Marques Rolim e Silva e, Vossa Excelência, em homenagem a quem lhe deu tudo, passaria a assinar Roberto “Ferreirinha” Requião de Mello e Silva, que acha?
   Pois é meu “pobre” senador , se as suas atitudes não são quebra de decoro, o que poderiam ser?
  Por favor, não envergonhe mais o Paraná, faça alguma coisa de útil, porque falando como eleitor, até agora Vossa Excelência foi incompetente como governador e está sendo inútil como senador.
  Lembranças de quem muito lhe estima,   
  Delegado Marques.

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(*) Cláudio Marques “Rolim” e Silva é delegado de Polícia, conselheiro em Direitos Humanos e vice-presidente do Instituto de Direitos Humanos “Irmãos Naves”

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